Carta de Terezinha

 

WEDNESDAY, NOVEMBER 15, 2006

Carta de Terezinha

Ouro Preto 15 de setembro de 1993

Carlos Alberto,

Fiquei contentíssima por haver sido contemplada com os dois livros, os discursos e, acima de tudo, a sua carta, tão amiga... tão ilustrativa.
No Brasil onde ainda continuam a coroar as cabeças erradas, é reconfortante estar a par do resultado de recentes pesquisas que coloca Tiradentes, no pedestal que ele merece.
Vocês com esse trabalho minucioso, elucidativo, desfizeram velhas dúvidas, esclareceram nossos receios, lavaram nossas mágoas, reanimaram o nosso patriotismo. Parabéns calorosos para a historiadora Dra. Isolde Helena Brans; você foi o mensageiro de tão boas notícias, seja o portador de nosso entusiasmo.
Aqui em Ouro Preto, quando via Benedito deixando de dar uma dedicação integral à sua profissão, tão nobre e lucrativa e cada vez mais determinado em continuar sua luta política, enfrentando o despotismo dos poderosos, a injustiça dos gananciosos e a mesquinhez dos bajuladores do poder, eu dizia:
- Você empobrece, encanece e não esmorece. Você é mesmo primo de Tiradentes, eu brincava, mas bem no íntimo, sabia ser muito provável essa hipótese do parentesco com o “Corta Vento”, gostei viu? E as pesquisas sobre o parentesco, são muito animadoras? Poucas pessoas no mundo têm o privilégio de ostentarem um parentesco como o de vocês, com o maior Herói da Pátria. Continue Caca, aventureiro e destemido como Tiradentes e também mensageiro de grandes notícias.
Sempre admirei Tiradentes, os que falam mal dele ficam marcados no meu conceito e por isso, que o Benedito era o Prefeito de Ouro Preto, cheguei a pedir-lhe a retirada do nome de Diogo de Vasconcelos de uma importante Rua de Ouro preto, por ele haver injuriado a memória de Tiradentes da Tribuna da Câmara de Vereadores, enquanto, lá fora, as aves debicavam a cabeça do Herói, exposta na praça, hoje, Praça Tiradentes. O Benedito horrorizado, proibiu-me de falar no assunto.
Vou guardar sua carta; os livros e as sinopses vou dar para Simone que é professora de História, diplomada pela PUC e entusiasta do assunto.
A passagem de Vânia, Ezilma, Stela e da minha afilhada Sandra com os respectivos maridos, filhos e mais as sobrinhas Branca e Laura, pelo Curralinho, foi muito rápida e eu não pude ir vê-los, mas minhas filhas Marina, Nilvia e Aline foram vê-las. Ricardo e Benedito tiveram uma presença mais constante. Só faltaram Antônio Carlos, Simone e o Sérgio que trabalha em outro estado.
Como não tenho nada para retribuir a altura o que recebi, envio-lhe esse despretensioso “Casa Branca”, é como eu sinto a sua terra.

Casa Branca

Uma estrada de terra sinuosa, campeira
Realça o encanto da bucólica paisagem.
Nos campos o gado rumina indolente
Canto das aves e o suave perpassar da aragem

Casa Branca onde a natureza ainda é som e verde
E quem chega é recebido afetuosamente.
É a famosa hospitalidade mineira conservada
Velhas fazendas...a tradição da vila preservada.

Na Praça da Matriz do milagreiro Santo Antônio
Gerações rezaram e cantaram
nas solenes procissões.
Os pioneiros alumiaram
e a fé está acesa nos corações.

Casa Branca enfeitada
pela beleza da Serra do Mesquita,
Vale silencioso, guarda de um povo
a história secular
Acolhedora Casa Branca
onde a saudade veio morar.”

Parabéns Carlos Alberto! Muito obrigada Cacá. Nossos abraços para Branca, Laura, sua esposa e você. Até Breve,

Terezinha.

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