Ata de reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 20 de agosto de 1990 em plena 'segunda fase heroica do IPHAN' . A Maria Eugênia Correa Lima secretariou, organizou a pauta e decidimos coisas importantes para a história da instituição. Afonso Arinos estava hospitalizado e faleceu 8 dias após essa reunião; Eduardo Kneese de Melo morava em São Paulo e compareceu na reunião seguinte.Era o caos na Cultura, durante o governo Collor; como eu era um dos que não foram dispensados (1/3 dos funcionários) e nem colocado à disposição ficando em casa (outros 1/3). Eramos poucos e eu cumpria tarefas na Secretaria de Cultura do Ipojuca Pontes; ninguém tinha cargo, só encargo. Toda crítica que aparecia sobre o Patrimônio (havia uma ação popular liderada por Antônio Houaiss contra o Collor e Ipojuca) me chamavam para ajudar a responder. Depois de reclamações sobre as chuvas em Ouro Preto me mandaram lá e eu produzi um relatório sobre Ouro Preto e Mariana, alertando o Secretário. Um dia o Secretário Ipojuca me chamou e quando entrei no gabinete ele estava deitado no sofá grande, com a sala toda escura de cortinas fechadas; ele queria demitir o Custódio no RS porque esse deu uma entrevista falando dos problemas nas Missões. Ligou a televisão e mostrou a entrevista na TV Machete. Consegui levar o Ipojuca Pontes e sua assessora de imprensa ao Rio Grande do Sul onde fomos recebidos na pista descendo do avião da FAB por toda a bancada gaúcha, liderada por Antônio Brito e dali mesmo saimos de carro e visitamos São Miguel e Santo Angelo; depois, na volta passei com ele para visitar o Governador Synval Guazzelli. Depois disso o Ipojuca assinou uma Portaria me delegando poderes para cumprir toda a legislação do Patrimônio Cultural que estava vigente. Não tinha me avisado de nada, foi de surpresa Descobri que a Lei 378 de janeiro de 1937 que havia criado o Conselho Consultivo não fora revogada e, portando, como Delegado pude reunir e presidir o Conselho e tomar providências. Achei hoje da internet a ata de reunião que presidi no Palácio Capanema (onde estava o Ipojuca Pontes que não quis vir cumprimentar os conselheiros, quando fui chamá-lo no gabinete). a ata que estou anexando mostra o carinho de todos os conselheiros comigo. Antes dessa reunião, no dia do aniversário do Roberto Burle Marx a D. Maria do Carmo Nabuco me chamou dizendo que os conselheiros estavam no Rio me aguardando na casa do Gilberto Ferrez; fui pra lá e combinamos, numa sala de jantar pequena, de fazer a reunião formal no Capanema. Não é pouca coisa o que eu e os funcionários remanescentes conseguimos fazer naqueles meses em que o IPHAN e a pró-memória estavam extintos. Apenas fiz cumprir a legislação e todas os diretores permaneceram em seus lugares e obedeciam minhas ordens de serviço. Eu tenho que escrever isso melhor; a Lygia Martins Costa, então aos 76 anos, aposentada saiu de seus cuidados para me ajudar no Capanema, organizando documentos do Conselho junto com a Maria Eugenia. A Maria do Carmo Nabuco, que estava na festa do Roberto Burle Marx falou pra todo mundo o que estava acontecendo e de lá mesmo me emprestou o carro para me levar à Casa do Ferrez. Carlos, você precisa escrever esse texto em forma de um pequeno ensaio historiografia para se publicado na Revista do Patrimônio. É um documento do maior significado e revela como Você salvou a instituição em 1992. Essa memória precisa ser registrada. É imprescindível que você escreva tudo isso. (Angelo Oswaldo de Araújo Santos) Caso queira ler na íntegra, acesse o link abaixo: http://portal.iphan.gov.br/uploads/atas/199002139reuniaoordinaria28deagostodatilografada.pdf

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