AUGUSTO MARIA DE SAA E O 1º DE ABRIL
WEDNESDAY, NOVEMBER 15, 2006
Augusto Maria de Saa em Lisboa
Domingo, Abril 03, 2005
AUGUSTO MARIA DE SAA E O 1º DE ABRIL
02-04-2005 12:39:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-6880852
Temas: Brasil
"Ritornello" e embaixada de Portugal no Brasil promovem mentira do 1º de Abril
Brasília, 02 Abril (Lusa) - A Embaixada de Portugal no Brasil e o programa "Ritornello", da RDP 2, apresentado por Jorge Rodrigues, promoveram sexta-feira a maior mentira do 1º de Abril dos últimos tempos.O programa cultural "Ritornello" de 01 de Abril foi dedicado a um personagem fictício, o português Augusto Maria de Saa, que teria vivido no Brasil na segunda metade do século XIX.De acordo com o programa, o "personagem ímpar da cidadania e da cultura" teria ganho destaque nos campos da literatura, música, artes, antropologia, física, matemática, entre outros.No entanto, segundo o mesmo programa, teria sido esquecido pelos portugueses.A história de Augusto Maria de Saa, contada também num blog da Internet
- www.memoria-de-saa.blogspot.com -
diz que o ilustre lisboeta morreu aos 54 anos, no dia 01 de Fevereiro de 1908, vítima de uma bala perdida da arma que teria matado também o rei D. Carlos e o príncipe D. Luiz Filipe.O programa contou com a participação do novo embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, do conselheiro cultural da embaixada de Portugal no Brasil, do director do Instituto Camões no Brasil, Adriano Jordão, e do conselheiro de imprensa Carlos Fino.Também participaram do "Ritornello" do 1º de Abril a escritora portuguesa Luísa Coelho, professora de Literatura da Universidade de Brasília (UNB) desde 2002, e o professor Carlos Alberto Xavier, assessor do ministro da Educação do Brasil, Tarso Genro.As entrevistas foram transmitidas em directo para Portugal.O programa, uma "conspiração cultural" entre a embaixada portuguesa no Brasil e o programa "Ritornello", recebeu vários telefonemas de ouvintes indignados por não conhecerem Augusto Maria de Saa, reclamando que Portugal não está atento aos seus valores.CMC.Lusa/fim
# posted by NM @ 11:40 AM
posted by Casalberto De Xavier | 9:04 AM
2 Comments:
Blogger Carlos A R De Xavier said...
SÁBADO, ABRIL 2
Augusto Maria de Saa
Daguerreótipo na Bahia em 1889
posted by Euclides | 2.4.05 | 0 comments
Portugal acordou !
A justiça chegou tarde, mas chegou ! O considerado programa "Ritornello", da Antena 2 da RDP, dedicou a sua emissão de 1 de Abril à figura de Augusto Maria de Saa. Para muitos parecia um missão inviável: era lá possível que a obra de Saa fosse levada ao público português com esta expressão mediática ! Mas não, era verdade, a Antena 2, sempre atenta ao grandes valores culturais que lhe cumpre preservar e promover, esteve à altura dos seus pergaminhos e, sob a batuta de Jorge Rodrigues, soube fazer-se eco da vida e obra desse gigante da cultura que foi Saa. Bem haja !
Durante duas horas, o país e o mundo foram brindados com depoimentos que trouxeram à tona da realidade cultural luso-brasileira aspectos importantíssimos do espólio de Saa. Um professor universitário brasileiro leu dois inspirados poemas do tempo tropical do nosso Augusto, prenhes da saudade lusa que marcou a sua aventura brasileira. Familiares de Saa perdidos na Rondónia deram conta de como a sua memória continua a ser acarinhada na família índia que criou na Amazónia, onde hoje sobrevivem frutos luso-tropicais, que acabam por dar razão póstuma a Gilberto Freyre. Revelações sobre cartas de Saa existentes nos arquivos de São Petersburgo foram feitas por um especialista em temas russos. Figuras do meio académico revelaram a explosão crescente de estudos saaianos que atravessa o Brasil, quiçá (melhor diríamos, "quissá"...) premonitórios da abertura próxima de um cátedra.
O programa trouxe ainda à tona os trabalhos sobre Saa em curso do Departamento de Linguística do polo experimental de Taguatinga, dependente da Universidade Católica de Abadiania Leste (UCAL). Além disso, foi referida a conhecida dedicação à temática Saaiana que ocupa o Professor Romário Ibirapuera, da Universidade de Rondónia, figura incontornável da investigação saaiana, em especial depois da iniciativa da reedição desse marco linguístico, há muito esgotado e objecto de especulação nos alfarrabistas, que foi a "Recolha crítica de interjeições tupis", que Saa publicou, em edição do autor, em 1887.
O programa Ritornello prestou um inestimável serviço à memória cultural luso-brasileira, ao alertar para a necessidade de uma iniciativa que leve Saa ao povo, através da publicação das suas Obras Completas, se possível em edição de bolso. A questão tem um sentido de urgência, porque acaba de ser tornado público que a editora francesa Gallimard, estará a processar a tradução urgente de toda a obra de Saa, a incluir nos seus clássicos da colecção "La Pléiade", publicação em papel bíblia, ao lado de Montesquieu, de Voltaire, de Hugo e de um único português, até agora, Fernando Pessoa. Se não nos adiantarmos, se não houver um choque das consciências lusas, não nos espantemos de ver as seguintes obras de Saa, entre muitas outras, com uma chancela parisiense:
- "Prolegómenos à teoria dinâmica do conflito", obra de ciências políticas e antropológicas, publicado por Saa ao tempo em que dirigia a Gazeta Democrática de Paranoá;
- "Olhai a Europa !", opúsculo-manifesto onde, pela primeira vez, se refere uma possível "carta constitucional" europeia;
- "As volteaduras da musicalidade recorrente", texto de teoria musical que, curiosamente já para a semana, é o tema central de um seminário interdiscipinar realizado pelo professor holandês Schopp Innkop, em Hobbart, na Tasmânia, organizado pelos "Círculos Musicais Heineken", com apoio da prestigiada "Fundação Foster";
- "O equilíbrio da ruptura no voltâmetro de potência suspeitada",obra no domínio da física que tem já uma edição em servo-croata, infelizmente esgotada.
Finalmente, caro leitor, a obra de Augusto Maria de Saa começa a reaparecer em toda a sua grandeza. Já não era sem tempo, mas, para os que lutaram ao longo destes anos para que tal acontecesse, ainda parece mentira !
4:26 PM
Blogger Carlos A R De Xavier said...
DOMINGO, FEVEREIRO 20
Apresentação
Este blogue pretende ser um modesto tributo a essa grande figura luso-brasileira que foi Augusto Maria de Saa. Ao comemorarem-se os 150 anos do seu nascimento, começa a agigantar-se no panteão da memória popular essa personagem ímpar da cidadania e da cultura, que deixou um rasto indelével que só muito recentemente começa a ser recuperado em toda a sua dimensão.
Augusto Maria de Saa nasceu, como é sabido, a 29 de Fevereiro de 1854, numa courela na zona de Lisboa que hoje se chama Olaias, ao tempo designada por Picheleira. Numa carta a sua irmã Ephygénia, Augusto ironiza com a raridade da data: "às vezes, até parece que não nasci".
Seu pai chamava-se Joaquim Saa, camponês da Merceana, que havia vindo para a periferia de Lisboa à procura de um parco sustento, nesses tempos de fome posteriores às guerras liberais. Sua mãe, Maria das Neves, teve a triste sina de ser o resultado de um pecaminoso encontro entre um padre miguelista, refugiado numa quinta da Malveira, e uma antiga aia, recém-regressada do Brasil, de D. Carlota Joaquina. Repare o leitor que, já aqui, começa a aparecer o Brasil no destino do nosso Augusto.
Maria das Neves tem um início de vida dramático. Levada pela mãe e pelos ventos do infortúnio para a zona Mouraria, aí haveria de se desgraçar, seduzida por um rufião, e deu o corpo na luta pela vida até ter conhecido Joaquim. Seria ele a resgatá-la daquela miséria e que iria ser o pai da prole de 11 filhos, de que Augusto seria o "caçula", como mais tarde este se não cansaria de lembrar, durante a sua longa estada no Brasil.
O pai Joaquim não deu, porém, vida fácil a Maria das Neves. Propenso ao abuso do álcool, criou na família um constante ambiente de violência e agressão, que o afastou sucessivamento do carinho dos filhos e deu à mulher um quotidiano de inferno. Também numa carta a sua irmã Ephygenia, Augusto relembra, com tristeza, a frase que o pai, quando ébrio, repetia como lema da sua vida: "Homem que é homem, dá coça diária na mulher".
Chegado a este ponto, o leitor dificilmente imaginará como pôde nascer, deste ambiente de dissolução, um ser superior como Augusto Maria de Saa. É o que, no futuro, pretendemos contar-lhe.
Esperamos, além disso, que nos possa trazer as suas achegas para a fixação, tão rigorosa quanto possível, do perfil brilhante de Augusto Maria de Saa.
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