Visita aos jardins do Palácio Imperial de Kyoto


Uma visita muito especial aos jardins internos do Palácio Imperial de Kyoto.

Depois dos jardinspequeno córrego, do ouro lado uma plantação de arroz; depois uma pequena elevação com pinheiros nativos e poucas outras plantas; detrás desse morro se via outro mais alto e depois uma montanha, até o infinito, a mesma paisagem retratando tudo, até o tempo.
(*) Carlos Alberto Ribeiro De Xavier





     CORRIA O ANO DE 1990 e eu comparecia ao III Seminário Internacional Preparatório, aonde cientistas de todo o mundo vinham, pelo terceiro ano consecutivo, falar sobre flores e plantas; comparecia também inauguração da EXPO’90 THE INTERNATIONAL GARDEN AND GREENNERY EXPOSITION, como convidado dos organizadores, especialmente o Coordenador Científico dos três seminários, o ex-Diretor do Jardim Botânico de Nova York, Dr. O. Koyama.

NESSE AMBIENTE FESTIVO o Senhor e Senhora Koyama nos convidaram, a mim e ao Senhor. e Senhora engenheiro, Presidente da Academia de Ciências dos Estados Unidos, a Senhora botânica, Vice-Presidente da Academia de Ciências da URSS, para uma visita aos jardins do Palácio Imperial em Kyotto, onde chegamos de carro em quase duas horas de viagem..

DEPOIS DA VISITA GERAL AO PALÁCIO fomos levados para um portão lateral onde estava escrito: “Proibida a entrada de menores”, de 21 anos se não me engano, mas os que duvidam eu tirei uma foto, pois era meio inacreditável mesmo. Foi meu último ato antes de passar pelo portão porque, pelo lado de dentro começávamos a visita com um silêncio de meia hora.

DURANTE DOIS QUARTOS DE HORA FICAMOS ALI, do lado de dentro, esperando para entender e entrar no clima do lugar: Por uma escada de dois degraus de madeira carcomidos pelo tempo, por sobre uma pequena corrente de água limpa, vi passarem dois velhos senhores, anciãos curvados pelos seus seguros mais de 80 anos.

ESTÁVAMOS ALI, esperando com essa calma e em silêncio tão grande que podíamos observar o vôo de uma libélula que apareceu: pousou na gola do paletó de frio do americano; depois voou para outro sentido e se foi. Quando olhei para os outros, estávamos todos observando o vôo da libélula e um sorriso meio incerto acompanhava cada olhar.

AS SUTILEZAS NÃO PARAVAM POR , estavam apenas começando, pois era como se tivéssemos que apreender a linguagem do silêncio primeiro, antes de entrar no jardim imperial. Depois de subirmos os dois degraus e passarmos para o jardins que ficam um patamar acima de onde estávamos, nos deparamos com uma imensa coleção de outros delicados jardins: os jardineiros eram como aqueles anciãos da entrada; todos os jardineiros trabalhavam lentamente.

CADA UM LEVAVA UM PEQUENA CONCHINHA DE BAMBU feita com uma haste do mesmo bambu, para levar um pouquinho d’água para um de planta ali na frente. Daí eles voltavam, pegavam mais um pouquinho d’água e levam para outra planta mais adiante. E assim eles faziam durante muito tempo. Não vi mangueiras nem sistemas de aspersão. Via-se jardins de pedras, arrumadas do lado esquerdo em curva; de lagos; de longos gramados com arremates dos canteiros compostos por uma, duas ou três espécies de flores, para se abrirem em tempos diferentes..

NO MEIO DE UM GRAMADO BEM GRANDE para as proporções do espaço, estava a “Casa de Leitura da Princesa” dessas feitas de biombos, aberturas nas portas e janelas para mediar a entrada de sol e ventos no interior. Nada impede, entretanto, de a pequena casa de leitura abrigar um vaso combonsaique pode ter 800 anos uns, ou mais de 1 e 200 anos outro, abrigados que estão nos bem cuidados jardins do Palácio de Kyoto. O mobiliário é minimalista, baixo e o ambiente vazado.

VASADO porque um outro espetáculo se descortina para quem tem a felicidade de estar nos jardins do Palácio Imperial: deste ponto de vista da área central dos jardins, até o infinito nenhuma se nenhuma perturbação. Tudo o que foi se transformando para a construção do Japão moderno foi se escondendo por detrás dos morros e montanhas, de tal maneira que nada perturba a paisagem, desse jardim e até onde a vista alcança o que se é a mesma paisagem a mais de 2.000 anos.

(*) ex-Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do IPHAN, Coordenador do projeto brasileiro na EXPO’90. É Assessor do Ministro da Educação,   


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