OK Conferência sobre Alexandre Rodrigues Ferreira em Manaus

Seminário sobre Alexandre Rodrigues Ferreira (Manaus, junho de 1997) Inicialmente, gostaria de agradecer aos organizadores pelo honroso convite para vir aqui, hoje, conversar com vocês sobre Alexandre Rodrigues Ferreira. É com grande satisfação que compareço, compartilhando com todos vocês algumas reflexões e idéias, pedindo licença pelo improviso, já que não preparei algo específico para o dia de hoje e pedindo desculpas pela ousadia de tentar olhar para ao cervo e para a história com a lentes adequadas e tentar transmitir um pouco do ambiente intelectual do séc. XIII e de Coimbra, onde estudou Alexandre. Alguém pode achar pouco, falar sobre idéias, por isso, trouxe um texto do Embaixador Sérgio Paulo Rouanet, que começarei citando. Depois falarei sobre três vocábulos: economia, ecologia e brasileiro. Por fim, tentarei mostrar um pouco do ambiente vivido por Alexandre Rodrigues Ferreira e outros brasileiros seus contemporâneos em Coimbra. . as influências das idéias sobre fatos sociais é extremamente arriscado, pois a maneira de abordá-lo já pressupõe certa opção teórica, senão ideológica. Ou seja, nós consideramos que as idéias determinantes são as ideéias que fazem a história. É a prática social que faz a história. ... No caso do XVIII, é muito difícil negar a importância das idéias, qualquer que seja a posição teórica que se tenha, pela simples razão de que os movimentos sociais que aconteceram no sec. XVIII foram indiscutivelmente dependentes de escolas teóricas, sem dúvida alguma, influenciados por esse movimento de idéias poderosíssimo que se chamou o Iluminismo. Exemplo paradigmático é a Revolução Francesa.” O tema desta conversa me foi sugerido, talvez, mais por causa de minhas atividades anteriores, de Diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e de dirigente do IPHAN-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do que pelas atuais, de assessor do Ministro da Educação e do Desporto. Sou economista, e desde os meus tempos de estudante tenho curiosidade em saber por que os nossos cursos das áreas das Ciências Humanas não incluem o estudo sistemático das ciências exatas e da natureza, e vice versa, ou por que não se estuda a natureza nos cursos de Economia? Embora aprendam, já nas primeiras aulas, que os fatores da produção são a natureza, o capital e o trabalho, os futuros economistas acabam se especializando em estudar os dois últimos fatores, o capital e o trabalho, e se "esquecem" do primeiro e principal elemento do processo produtivo, que é a natureza. Trabalhando no Ministério da Agricultura com as áreas de conservação da natureza, durante algum tempo mantive contato mais próximo com os engenheiros agrônomos, com os florestais, com os biólogos, os botânicos e pude perceber que esses profissionais saem das faculdades sabendo bastante sobre os recursos naturais, sobre técnicas para processar produtos e até sobre a interpenetração dessas disciplinas, ou sobre as diferentes formas de conservação ou de preservação de recursos. Entretanto, são muito precárias, em geral, as informações que recebem esses bacharéis, engenheiros e técnicos, sobre o meio social, antropológico, político e econômico, exatamente onde o seu saber e as técnicas apreendidas serão aplicadas. A usual divisão do conhecimento em disciplinas compartimentadas, a enorme gama de especializações, o crescente desenvolvimento científico e tecnológico, aliados à diversificada organização das Universidades e Faculdades Isoladas, públicas ou particulares, em Departamentos e Centros ou Diretorias, que muitas vezes não se entrosam, em realidade, essas são as razões que levam os recém-formados do terceiro grau, a enfrentarem enormes dificuldades para exercerem suas profissões em um mundo de complementariedades, onde o conhecimento interdisciplinar é cada vez mais necessário, em todas as atividades modernas. Hoje, dos profissionais de áreas como a biologia, a agronomia e as engenharias, exige-se conhecimento atualizado sobre os impactos causados ao meio ambiente pelas atividades produtivas, bem como sobre o sistema socio-econômico e político onde essas atividades se desenvolvem. Sem uma visão de conjunto, ou holística, como se diz, não conseguimos, perceber, de fato, o mundo das entidades, das representações, das coisas, e de suas relações com o todo. Dentro de uma visão holística, é necessário que busquemos a complementação dos estudos fora do objetivo específico de nossa formação, em outras áreas do conhecimento, de forma a suprir as precariedades sentidas.
O conhecimento sobre a natureza, sobre os recursos naturais, renováveis ou não, os efeitos das atividades extrativas, ou de qualquer intervenção no meio ambiente, o estudo da vida na terra, no mais amplo sentido, devem ser objeto da curiosidade constante, da pesquisa sistemática e do interesse cotidiano dos professores, dos estudantes e dos futuros profissionais.
Achei, portanto, pertinente vir aquí falar sobre ecologia e economia política, mas, para não fazer um discurso enfadonho ou ficar repetindo esse mar de obviedades que se lê ou se ouve, resolví tecer alguns comentários sobre o sentido de apenas três vocábulos, normalmente mal empregados e algumas vezes utilizados com sentidos equivocados. Vamos examinar o que significam as palavras: ecologia, economia e brasileiro. Com a Ecologia e com a Economia ocorre algo semelhante ao que acontece com o futebol no Brasil: existem quase tantos entendidos emitindo opiniões sobre o meio ambiente e sobre os prêços quantos há opinando sobre a escalação da seleção brasileira de futebol. É comum ouvirmos os políticos e neófitos ativistas da "onda do verde" falarem sobre ecologia e meio ambiente, sem muita noção do que estão dizendo. De início, meio ambiente já é uma expressão ambígua, pois, “meio” é sinônimo de “ambiente” e uma palavra não reforça a outra, ao contrário, como está posto, meio ambiente, às vezes, pode significar"a metade do ambiente", ou 1/2 ambiente. E muitas vezes é isto mesmo que ocorre: conserva-se uma parte, uma “metade” da área de uma propriedade e abusa-se da outra metade, como é o costume brasileiro desde o século XVI. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, diz que "o Brasil só foi possível tendo terra farta para usar e arruinar à vontade".
È comum ouvirmos, também: "É! Estão causando um grande dano à nossa ecologia". Isto é um grande absurdo, porque quem sofre o dano é o meio físico e não a ecologia, que é o saber, a ciência, o conhecimento que se tem sobre a natureza e assim deve ser entendida. Seria o mesmo que dizer: "estão fazendo um grande mal à medicina", e não à saúde. O impacto de qualquer intervenção danosa incide sobre o meio físico, o ambiente natural que sofre a ação ou dano. Ecologia é um termo composto pelo radical grego oeco que significa casa, a natureza como o local da "casa do homem", o lugar onde se vive; Juntando oeco com logia, chegamos ao sentido etimológico do termo "oecologia": “ ecologia é o estudo, o conhecimento sobre a natureza, ou a pesquisa do meio físico em que vive o homem”. Assim, fica fácil entender também o que é economia: basta substituir o sufixo para nomia, encontramos o sentido original da palavra oeconomia(ae), economia é um substantivo feminino que significa: "disposição, ordem, arranjo, economia”, ou na definição de Lineu em seu livro Philosophia Botanica: oeconomia naturae, "a ordenação das coisas da natureza".
Continuando a citação do mesmo livro de Lineu, em oeconomicus (a, um), temos a orígem do conceito de "econômico": oeconomicus usus plantarum "o emprego econômico das plantas", e em oeconomus, substantivo masculino, a definição do que deveria ser a ocupação do economista: oeconomus usus plantarum in vita comuni tradunt "os economistas tratam do emprego das plantas na vida cotidiana." Como se pode deduzir, não é comum encontrarmos muitos desses economistas em nosso meio, hoje em dia.
O uso adequado dos vocábulos, principalmente os que definem termos técnicos e conceitos acadêmicos é que nos permite expressar exatamente o sentido do que queremos dizer, transmitir os valores que regem as comunidades e, por isto mesmo, devemos tê-los claros, por serem os pilares de uma sociedade, principalmente, se essa sociedade esteja em processo de mudança ou vivendo eventuais momentos de crise. A língua é o primeiro patrimônio cultural que nos é dado preservar. O equilíbrio das comunidades é sempre dinâmico, pois, é obvio, vivemos em um planeta em movimento, o que, por si, já condiciona tudo. Portanto, ao empregarmos certos termos como: ecologia, economia, meio ambiente, flora, fauna, biotecnologia, engenharia genética e outros, aprimoramos nossa linguagem fazendo uma escolha correta das palavras e alcançaremos, assim, o melhor entendimento em nossas lides no sistema social, político ou profissional.
Embora possa parecer fora de lugar, gostaria de tecer algumas considerações sobre o termo "brasileiro", por sua intríseca ligação com o tema principal de nossa conversa. Neste sentido, é importante salientar alguns aspectos ainda pouco considerados na descrição do nosso contexto histórico: nos primeiros momentos da nossa história, a descoberta das terras do Brasil revelara, de pronto, um importante recurso para a explotação: a existência do "pau brasil", que fez estabelecer o primeiro ciclo econômico do país, seguido da cana de açúcar, da pecuária e, mais tarde, do ouro e pedras preciosas. (Cf. Celso Furtado, em Formação Econômica do Brasil, Roberto Simonsen, em História Econômica do Brasil, Alberto Torres, em As Fontes da Riqueza do Brasil). Durante o ciclo do pau brasil, e por causa dele, o país foi batizado com o nome que conserva. O nome da nova terra, originalmente, Pindorama, que em língua indígena significa a terra das palmeiras, foi sendo substituído por Ilha de Vera Cruz, Terra dos Papagaios, Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil e, finalmente, Brasil, predominando a vocação da nova terra para a natureza.
Em 1562, o vocábulo "brasileiro" apareceu escrito pela primeira vez, em um relatório de André Thévet, em francês, "Les singularitez de la France Antarctique", não para designar o nativo do Brasil, mas para indicar aqueles que se dedicavam ao negócio do pau brasil, i.e., os que cortavam as árvores e levavam os troncos para os navios. Assim, no lugar de sermos designados "brasilianos ou brasilienses", termos gramaticalmente corretos para o caso, ficamos conhecidos como “brasileiros”, o que, à época, era sinônimo de predadores e mesmo entreguistas, pois muitos já se dedicavam à exploração clandestina dos recursos naturais do país, entregando-os aos comerciantes que visitavam nosso litoral, e inaugurando o processo predatório, tanto do meio ecológico como do sistema econômico. (cf.Irmão José Gregório em “Contribuição Indígena ao Brasil”, 1a. edição, Vol.2, pag.491, editado pela União Brasileira de Educação e Ensino, B. Hte.,s/data.) Com a chegada de cada vez mais portugueses, aliados, principalmente, à mão de obra africana mas também aos índios, a sucessão dos ciclos exploratórios fizeram com que a expressão "fazer Brasil" se vulgarizasse, tornando-se corrente na Europa durante os séculos XVI, XVII e XVIII, com o sentido de "vamos ao Brasil para nos enriquecer rápida e facilmente". Isso acontecia, apesar dos protestos de muitos nativos que, a exemplo do que já ocorrera na escolha do nome da terra, também se incomodavam com os destinos de um país tão entregue à exploração estrangeira. Foi esta consciência que levou o brasileiro Hipólito José da Costa Pereira a matricular-se, na Universidade de Coimbra, em Matemática, Filosofia e Direito, em 1792 e 1793, formando-se Bacharel em Leis em 1797. Em missão do governo português, Costa Pereira visitou os Estados Unidos da America do Norte para estudar a cultura do algodão e da cana de açúcar. Mais tarde, refugiado da Inquisição, em Londres, iniciou a publicação do jornal "Correio Braziliense" dedicado à veiculação das idéias libertárias, vindas da conjuração mineira e da revolução francêsa. Trabalhava pela independência, mas, pelo nome dado ao jornal, mostrava estar preocupado, em princípio, com a denominação dos nativos, mais tarde, consagrada, com a Independência e a formação do Império Brasileiro, apesar da visível anomalia gramatical.
A crescente produção de ouro, especialmente na primeira metade do sec. XVIII, só começou mesmo a declinar no fim dos anos sessenta, permitindo que surgisse uma abastada classe de proprietários e comerciantes na capitania de Minas, diferentemente dos povoamentos litorâneos que tiveram as condicionantes geopolíticas e as de seu próprio processo de formação sócio-econômica, fazendo bem distintos os habitantes das diferentes regiões do Brasil. Neste sentido, os "caipiras", ou " caiporas, caaporas, ou capiaus", do interior do país, têm comportamento bastante diferente dos habitantes do litoral, como os "caiçaras" do sudeste, por exemplo, que tinham contato direto com os estrangeiros que chegavam ao país, enquanto os caipiras do interior viviam entre montanhas, sem fronteiras estrangeiras - ao norte, sul, leste ou oeste. Condicionados pelo ambiente montanhoso e, ainda, pressionados pelo fisco, os mineiros tinham comportamento mais contido, eram desconfiados com os visitantes, e desenvolviam habilidades políticas necessárias à convivência, tendendo, quase sempre, à neutralidade. Era o que acontecia na urbanizada Vila Rica do sec. XVIII, com repercussões em todas as regiões mais povoadas da capitania: Rio das Mortes, Sabará, Serro Frio, Paracatu e outras. No litoral, sob a economia dos engenhos de cana de açucar ou da pecuária nordestina, os contatos eram mais frequentes e naturais, com todos os que atravessavam o Atlântico na direção dos brasis.Neste ponto gostaria de me referir aqui ao ambiente que se vivia em Coimbra à época de Alexandre e Hipólito da Costa. Quem era o Reitor e quem eram seus contemporâneos, professores e colegas? O Reitor de Coimbra, entre 1770 a 1821, com um intervalo entre 1779 e 1799, quando foi nomeado Bispo de Coimbra, foi o brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, Francisco de Lemos de Faria Pereira. Antigo aluno do Colégio dos Militares, frei conventual da ordem de S. Bento de Avis, juiz-geral das Três Ordens Militares, desembargador da Casa da Suplicação, deputado da Mesa Censória e do Tribunal do Santo Ofício, nomeado em 1768, governador, coadjutor e, mais tarde, sucessor do Bisbo de Coimbra. Ainda, Conselheiro da Junta da providência Literária, criada sob a inspeção do Cardeal Cunha e do Marquês de pombal. Reitor da Universidade em 1770, e reformador-reitor em 1799. Em 1808 foi escolhido por Junot para fazer parte da deputação encarregada de ir cumprimentar napoleão em Baiona. Sua atuação é, inegavelmente, notável. Plagiando o título do último livro de Keneth Maxwell sobre o Marquês de Pombal, a universidade vivia um ambiente paradoxal. As “idéias francesas” circulavam clandestinamente no meio acadêmico, até mesmo na França, onde circulavam textos do Abade Raynal, Diderot, o médico Dubreuil, Lagrange, Voltaire, Montesquieu, Rosseuau, entre outros pensadores, sendo alguns livros editados em outros países. A Histoire des deux Indes (25.000 exemplares na 14ª edição) e a Revolution de l’Amerique, do Abade Raynal (Guilhaume-Thomas Fran;ois Raynal) e a Encyclopédie de Didederot, eram best sellers, apesar de proibidos por vários anos, inclusive na França e incluidos em listas negras.
Como poderiam circular essas idéias em um ambiente regido por um Bispo-Reitor-Deputado da Mesa Censória e do Tribunal do Santo Ofício? Como poderiam os “doze estudantes brasileiros” solenizar uma promessa de lutar pela emancipação do Brasil? Como poderiam alguns desses, realizar outras missões, na Inglaterra, em viagens de estudos?; na França, estudando e tramando com Thomas Jefferson, em encontro secreto, apoio americano à revolução?; e no Brasil, participando de reuniões sociais para divulgação de idéias, sob a vigilância absolutista de um Vice-Rei e de um Governador?
Foram esses alguns dos brasileiros nessa época de grandes conflitos de idéias em Coimbra: Frade José de Santa Rita Durão, (poeta, autor de “Caramuru”), Inácio José Alvarenga, (conspirador degredado), Alexandre Rodrigues Ferreira e seu irmão Bartolomeu, Pe. Joaquim Veloso de Miranda, (naturalista, grande amigo do Prof. E. Vandeli e de Alexandre Rodrigues Ferreira, depois, professor na Universidade), Antônio Caetano de Almeida Vilas Boas, e seu irmão, José Basílio da Gama,José Vieira Couto, (condenado sob a acusação de estar filiado à maçonaria), José da Silva Lisboa, (Visconde de Cairu), Antônio Morais da Silva, perseguido pela Inquisição, fugiu para Londres, Antönio Pereira de Sousa Caldas, (condenado pela Inquisição como herege, naturalista, deísta e blasfemo. Penitenciado no auto público de fé de 26 de agosto de 1781), Francisco de Melo Franco, (médico, poeta, também condenado pela Inquisição, escreveu o poema “Reino da Estupidez”, Baltasar da Silva Lisboa, (advogado, irmão do Visconde de Cairu), Jose Alves Maciel, e seus irmãos Teotônio e Francisco, (participou do “pacto dos doze”), José Joaquim Maia Barbalho, (mais tarde nomeado advogado dos réus da Conjuração Mineira, muitos deles seus antigos colegas), José Bonifácio de Andrada e Silva. João Severiano Maciel (mineiro, Administrador da Guiana Francesa, Marquês de Queluz, Deputado à primeira Constituinte Brasileira). Para terminar, vou citar de novo o Embaixador Sergio Paulo Rouanet, para dizer como essas idéias são atuais. Precisamos usar lentes própias para ler o acervo organizado por Alexandre Rodrigues Ferreira e o pensamento do filósofo Rouanet, exposto em seu discurso como membro nato do Centro de Estudos do Século XVIII, da Unviersidade Federal de Ouro Preto, em 1993: “Para muitos, a Ilustração nos é duplamente estranha, no eswpaço e no tempo. No espaço, porque foi um movimento essencialmente europeu, nada tendo a ver com o Brasil, e no tempo, porque se esgotou no século 18, nada tendo a ver com nossa atualidade. Basta ler a história do Brasil para responder à primeira acusação. O Brasil .... até É o sonho da autonomia. Eis a resposta aos que acham que a Ilustração é um capítulo encerrado da história das idéias. Ela foi ...... até Voltaire, que inaugura verdadeiramente a história como ciência.

Comments

Popular posts from this blog

Augusto Maria de Saa e o Embaxador de Portugal

Entrevista Folha do Meio Ambiente JBRJ